Segunda-feira, 1 de Novembro de 2004

Meditação

Quando queremos consolar alguém, dizemos "calma, não te preocupes" .

Porquê? Sabemos que a calma e o relaxamento, especialmente o relaxamento mental, trazem um benefício extremamente poderoso.

O ser humano é habitualmente competitivo e , por essa razão, luta constantemente por um maior bem-estar material, pelo prazer dos sentidos, por uma melhor reputação,  mas ganha simultaneamente um intenso estado de nervosismo. Quando não relaxamos tornamo-nos neuróticos e frenéticos e afastamo-nos da verdadeira natureza da nossa mente que, pelo contrário, é calma e brilhante.  A meditação é o meio mais eficaz de, por um lado, espreitar a mente; e, de forma mais prática e imediata, obter paz.

Há vários tipos de meditação, mas todos começam pela estabilização do corpo e dos pensamentos. É esta meditação - a mais simples- mas bastante poderosa- que vou descrever:

Num local sereno, sentemo-nos numa cedeira ou no chão (de preferência) com a coluna vertebral o mais direita possível. Durante o tempo de meditação devemos permancer completamente imóveis, pelo que, antecipadamente, devemos certificarmo-nos de que não nos colocamos numa posição desconfortável (os orientais praticam meditação com as pernas cruzadas uma sobre a outra - a posição de lótus- mas nós, ocidentais, temos outros hábitos físicos, por isso devemos simplesmente sentarmo-nos de pernas cruzadas).

Mais tarde, se conseguirmos, poderemos ir tentando uma osição mais audaz.

De olhos fechados, começamos por prestar atenção à respiração (podemos focar a atenção no movimento das narinas ou na sensação do abdómen). A concentração deve estar fortemente dirigida sobre o local escolhido SEM o tentar visualizar, apenas sentindo sensorialmente o movimento da inspiração e expiração.

É perfeitamente normal que, no início, comecemos a respirar de modo mais ofegante; o ideal é NÃO ligar importância ao facto; pouco a pouco, a respiração retomará o seu ritmo natural.

Limitamo-nos a "observar" a respiração. A certa altura começamos a reparar nos pensamentos que surgem na mente.  Não lhes damos continuidade nem os reprimimos. Apenas os vemos surgir como quem vê o movimento das nuvens no céu. É muito importante NÃO haver censuras!

O ideal é colocar rótulos ao que acontece. Por exemplo, se temos uma comichão dizemos mentalmente "comichão" e retomamos a atenção na respiração; se observamos um pensamento, dizemos mentalmente "pensamento" e voltamos a olhar para a respiração, sempre de modo suave, sem rudeza, como quando falamos a uma criança pequena, com muita ternura.

A atitude de amor é muito importante!

Devemos tratar o praticante de meditação como se fosse nosso filho que, aborrecido com esta imobilidade, se distrai. Devemos chamá-lo, mas com muita ternura e condescendência, como se lidassemos com uma criança de uns quatro anos. Quem dá os primeiros passos na meditação distrai-se frequentemente, porque a mente não está habituada a parar.

A mente habituou-se a saltar perpetuamente de um pensamento para outro, como uma criança incapaz de se concentrar, por isso é preciso discipliná-la com carinho.

Esta prática deve ser diária, durante cerca de 20 minutos. O ideal é colocar um despertador a marcar o tempo. Inicialmente parece que nada aconteceu. Parece uma prática que não leva a lado nenhum. NÃO É VERDADE!

Aumentem o tempo de imobilidade física e mental (para 25 minutos na segunda semana, 35 m na terceira, depois comecem a praticar duas vezes por dia, de manhã e antes de deitar.)

Gostava de ter um feeed-bach da vossa prática de meditação.

publicado por Isabel às 00:16
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