Quarta-feira, 20 de Outubro de 2004

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Caminhar pela via do Bodhisattva é enveredar pela via da auto-ajuda, ajudando todos os outros seres sencientes; exige um grande treino, exige a prática do Bodhichitta. Bodhisattva é uma palavra de origem sânscrita que significa: Bodhi = iluminado + Sattva = ser. O treino começa com a prática das 6 Perfeições: generosidade, ética, paciência, esforço e sabedoria.

Primeira Perfeição: GENEROSIDADE


A Generosidade pode começar por algo tão simples como ouvir alguém com genuina atenção, até algo mais como o trabalho de voluntariado. Ser generoso é ser-se capaz de dar com alegria, seja oferecer um casaco velho que já não se usa ou oferecer a nossa força de trabalho a alguém. A atitude do acto de “dar” é muito importante. Se esse gesto for feito com má-vontade (dar uma esmola a um pobre para ele nos “deixar em paz” no café onde queremos tomar o pequeno-almoço sem ninguém nos incomodar, então esse gesto não foi de generosidade, mas apenas um gesto egoísta igual a tantos outros que distraidamente fazemos).


A verdadeira generosidade existe num pensamento de compaixão por uma situação que vemos no telejornal, aparece na lágrima que escorre pela criança que foi maltratada. Existe no sorriso sincero de ternura  pelo desconhecido com quem nos cruzamos na rua.


Todas as nossas acções, palavras e pensamentos podem estar embrenhadas de verddeira e genuina generosidade.



Segunda Perfeição: ÉTICA


Ética é saber conhecer as diferenças básicas do agir, significa ter uma conduta de vida que passa pelo respeito básico pelos valores fundamentais, como não matar, não roubar, mostrar respeito pelos outros através da linguagem e comportamentos, ter uma conduta sexual própria, não usar substâncias nocivas que inibam ou restrinjam o auto-controle.



Terceira Perfeição: PACIÊNCIA


A paciência é o antídoto da raiva. Quando não temos paciência facilmente nos zangamos, por essa razão é tão importante sabermos cultivar a paciência. Podemos começar simplesmente por marcar um encontro para uma dada hora num café e propositadamente chegarmos uma hora mais cedo para esperar com paciência. Há sempre algo que podemos (e devemos) fazer quando esperamos. Em vez do desespero de pensamentos do género “ele nunca mais chega” que facilmente levam a “é sempre a mesma coisa, eu já sabia” e conduzem a uma cadeia de julgamentos negativos, podemos simplesmente aproveitar aqueles momentos para reflectir sobre a nossa própria conduta ou, melhor ainda,
aproveitar para praticar a atenção, limitando-nos a não pensar em nada e simplesmente estar ali, naquele momento.


Quando desenvolvemos a capacidade da paciência, tornamo-nos mais tolerantes e, desse modo, masi felizes, tornando também os outros mais felizes. Um Bodhisattva deve desenvolver a prática da paciência.



Quarta Perfeição: ESFORÇO


O esforço alegre, entusiasta é um requisito essencial à prática diária do Bodhisattva. Se há alturas em que estamos especialmente atentos e compassivos, há também momentos em que o stress do quotidiano nos parece arrastar para o mundo distraído e egocêntrico da urbaneidade actual.
Assim, se não nos habituarmos a um esforço constante, realizado de modo bem-disposto, dificilmente a prática do Bodhisattva não passará de um projecto bem intencionado. O caminho do Bodhisattva exige virtudes que normalmente nós não temos, por isso se não estivermos dispostos a um esforço é como alguém que toma a decisão de se tornar um exímio atleta, mas que ao fim dos primeiros exercícios se deixa derrotar pelo cansaço e desiste.



Quinta Perfeição: CONCENTRAÇÃO


A concentração é essencial para desenvolver a calma necessária para enveredar pelo caminho do Bodhisattva.



Sexta Perfeição: SABEDORIA


Nada do que fizermos com esforço, de modo concentrado, seguindo os preceitos éticos, com generosidade genuina, vale se não tivermos como base uma plano estável de sabedoria. A procura da sabedoria deve ser ma base constante em tudo o que fazemos na vida. Assim, é preciso uma grande e constante reflexão sobre a verdadeira natureza da realidade de todas as coisas, inclusive sobre a nossa verdadeira realidade. E essa realidade não está no –eu- nem na forma como temos tendência para pensar o mundo como uma base sólida e constante. Nem é verdade que exista um –eu- independente de tudo o resto que nos rodeia, nem o mundo é assim tão sólido como parece.
Sabedoria é a capacidade de se perceber que a solidez e a permanência não passam de ilusões; mesmo as montanhas vão um dia desfazer-se em areia, porque tudo muda. Ausência de Eu e impermanência são duas realidades absolutas com que podemos contar. O que é o –eu-? Sou eu agora ou a criança que fui? É a minha cabeça ou braços? Até que ponto é posso ir amputando partes do corpo e continuar a dizer –eu- ?


Resumindo: Generosidade, Ética, Paciência, Esforço, Concentração e Sabedoria são seis capacidades que todos possuímos. Se pegarmos em cada um destes elementos e os exercitarmos da mesma forma que um atleta de alta competição exercita os seus músculos, então ninguém nos conseguirá parar neste caminho de entre-ajuda e compaixão. Se com a prática regular de exercício físico há atletas capazes de correr a altíssimas velocidades, há ginastas capazes de, graciosamente, fazer parecer que o corpo é feito de borracha, de tão maleável ele fica, imaginem as possibilidades da mente, com muito menor solidez…                
É tudo uma questão de treino…            E de vontade…

publicado por Isabel às 13:45
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