Terça-feira, 26 de Outubro de 2004

Desapego

Antes de tentar explicaro que é o desapego, queria referir as Quatro Nobres Verdades proferidas por Buda após a iluminação. É por não darmos conta das Quatro Nobres Verdades que este longo caminho de nascimento e morte -samsara- tem sid opercorrido.

As Quatro Nobres Verdades são:

1- a Nobre Verdade da existência de Dukka -sofrimento; 2- a Nobre Verdade da origem de Dukka; 3- a Nobre Verdade da cessação de Dukka; 4 - a Nobre Verdade do caminho para a cessação de Dukka.

«Agora que foram compreendidas e integradas, o desejo pela existência é eliminado», disse Buda aos seus seguidores.

O sofrimento é, pois, segundo todos os princípios budistas, a base permanente da nossa existência, uma constante da nossa vida neste plano espiritual.

Se reflectirmos um pouco nesta Primeira Verdade, perceberemos que o stress e a preocupação, ou seja, o sofrimento é o factor dominante do nosso dia-a-dia, mesmo os momentos de maior felicidade não são vividos plenamente pelo medo do seu desaparecimento.

Porquê? Pelo apego. Vivemos quase sempre a analisar o que fizemos no passado e a divagar sobre projectos e conjecturas parao futuro.

(Devia ter dito isto. Amanhã vou fazer aquilo.)

Vivemos quase sempre no passado ou no futuro.

Quando estamos preocupados sofremos  e desejamos o futuro (o final das preocupações). Quando estamos felizes, vivemos com receio do final desses momentos.

Vivemos apegados a situações, palavras, assim como vivemos apegados a pessoas e objectos.

(Mesmo quando dizemos sentir amor por alguém, muitasvezes não passa de apego e vivemos com medo de perder essa pessoa, do mesmo modo que estamos apegados a objectos.

No fundo, o apego não é mais que uma emoção destrutiva que nos impede de desfrutar plenamente o momento presente.

 Não confundir apego com Amor ou compaixão! Do Apego derivam outras emoções negativas como a inveja (de perder aquele objecto, situação ou pessoa), a raiva e frustração (causada pela perda), etc. Ao contrário, o Amor ou Compaixão é incondicional e não traz infelicidade associada. O verdadeiro Amor por um filho, por exemplo, não traz nenhum tipo de sofrimento (é um "estar ali" para ele sempre, independentemente do ele fizer ou disser, nunca se transforma em ódio, não tem inveja associada nem ciúme). Assim, o desapego é o contrário do apego, é o “deixar-se ir na vida”, sem contudo querer dizer negligenciar. É aproveitar todas as situações que a vida nos traz. No fundo, é fruir da existência de forma plena, fruir todos os momentos, os maus e os bons, vivendo-os, ao invés de pensar em relação aos bons “quem me dera que isto dure para sempre” e nos maus “que horror, isto nunca mais passa”. Ter uma atitude de desapego é, resumindo, viver sem expectativas, aceitando o presente. Quero salientar que desapego não significa ser passivo perante a vida. Passividade e desapego não são sinónimos. Desapego é uma atitude, é uma predisposição interior, não é um processo exterior. Por exemplo, se virmos uma situação de injustiça, se pudermos, devemos resolvê-la, mas isto não significa envolvermo-nos emocionalmente, pois corremos o risco de desenvolvermos uma emoção fortemente destrutiva como é a ira. Tampouco o desapego se traduz numa frieza perante a vida. Do desapego deriva calor interior e acompanhado por uma atenção plena ao momento presente, deriva compaixão. O desapego é uma atitude e não uma acção. É uma predisposição de espírito. Se reflectirmos sobre a atitude contrária, facilmente percebemos que ela nos traz a maior parte das preocupações. (Eu diria mesmo todas!) Pelo contrário, se cultivarmos a atitude do desapego, verificamos que deriva dessa atitude a maior parte das emoções positivas como a generosidade, a paciência…

publicado por Isabel às 20:59
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1 comentário:
De Imhotep a 31 de Agosto de 2006 às 18:26
Eu acho até que há verdadeiro amor quando todo o apego desaparece. Mas é dificil explicar o que é desapego. Normalmente há tendência a confundir com indiferença. De certa forma esta confusão é natural, quando se ama muito alguém, um filho, é difícil ao mesmo tempo haver aceitação da impermenencia, há tendencia a querer que permaneça. Não é simples aceitar a morte, e parece indiferença. Eu procuro sempre cultivar o desapego, e ficar alerta ao apego quando surge. Sinto-o muito como uma grande liberdade, ar!

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