Segunda-feira, 16 de Outubro de 2006

vazio

borboleta.jpg O budismo ensina que a forma é o vazio e o vazio é a forma. A natureza vazia dos fenómenos não significa que nada exista e que toda a realidade seja ilusória, isso seria uma visão niilista do mundo. O vazio explica-se pela falta de características intrínsecas. Cada fenómeno, cada objecto, cada ser é destiituído de uma identidade intrínseca. A forma é a apreensão de um conjunto de factores interdependentes. Por exemplo, uma borboleta que pese 5 gramas no planeta Terra e tenha várias cores debaixo da luz solar; num outro contexto, sob outras condições terá outras características (à noite ela será cinzenta e dentro de água pesará muito menos, por exemplo). Assim, a forma de uma borboleta é o vazio de características intrínsecas e o vazio destas características constitui a sua forma. A concepção do vazio, no contexto budista, deve ser entendida em termos de 'dependência'. Entendido deste modo, o vazio cria uma abertura para o infinito de possibilidades.

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publicado por Isabel às 00:00
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7 comentários:
De joao a 17 de Outubro de 2006 às 09:38
Olá Isabel, que bom é ver-te "shinny". Como tu explicas (e muito bem) a concepção de vazio no contexto budista deve ser entendido em termos de interdependência, mas também sem sombra de dúvida através da impermanência das formas. Por exemplo, como tentamos explicar o que somos, tendemos a colocar a situação desta maneira, "eu sou isto que aqui está!, este corpo, esta mente". Mas na realidade, o que está já não está. Este corpo já não é o mesmo e a mente muito menos. Logo não existe nada a que possamos chamar de eu permanente. Daí sermos desprovidos de identidade intrínseca.
Espero ter-me conseguido explicar. Bjs
De Isabel a 18 de Outubro de 2006 às 08:34
João, gosto sempre das tuas visitas e comentários :)
De Bandida a 17 de Outubro de 2006 às 18:04
estarmos e não chegarmos a ser ou sermos e não chegarmos a estar? ando a procurar.me.
De Isabel a 18 de Outubro de 2006 às 08:36
estar aqui e agora SEMPRE é mt difícil :P
De Hyogador a 20 de Outubro de 2006 às 16:03
Olá Isabel
Sim, o post do Delux é formalmente simplista, creio que foi um desabafo nostálgico entre os sopros do clarinete que apreende a tocar. Aproxima-se de um conceito Barrio Sésamo, óptimo para o público alvo a que foi destinado, ganhando contudo outra forma, talvez vazia, postado assim no blog.
Compartimos vários gostos musicais, deixo que os sons de cada momento se dêem a apreciar. No meio de tanto ruído, musica sabe bem.
(Ontem com a Mariana, em casa com amigos , jantamos bacalhau cozido com todos ao som de um Drum&Bass pesadíssimo, não tivemos nem necessidade nem coragem de pedir para trocar...)
Ultimamente a Antena2, no carro,transmite-me intensas emoções, em outros tempos de tudo um pouco, de SSSputnik até aos cimbalos celestes últimos.
Não conhecia a tua vocação cinéfila,porto para curiosidades.
Lindo o Azul Zimbro!
De Isabel a 22 de Outubro de 2006 às 10:59
'bigada pelas visitas e pelo comentário; este senti-o especialmente construtivo e sensível...
De Pedro a 27 de Novembro de 2006 às 00:33
O nada(vazio) para existir precisa do todo, porque sem ele, é o próprio todo. Numa visão redutora, simplista talvez, sem conceitos religiosos de qualquer espécie, o nada e tudo são o mesmo, porque todos os conceitos servem para provar que na falta deles o nada "existe". O vazio é a génese, o "zero matemático" - "abençoados" árabes que o inseriram no conjunto dos números, passando agora a "existir"!

Fica bem, e desculpa estas considerações despropositadas e menos profundas do que as alguma proferidas por sua senhoria, ó suprema sacerdotiza de OOOOOOMMMMM!

Pedro "o antigo sacerdote da noite".

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