Sábado, 30 de Outubro de 2004

A ilusão da solidez

A solidez da matéria é uma ilusão. Na realidade, tudo é energia. Se desmontarmos uma casa continuamos a ter os materiais. Se continuarmos a decompor os materiais, acabaremos por ter moléculas que, por sua vez, podem ser divididas em partículas e átomos, cuja massa é equivalente à da energia que pode ser descrita por fórmulas matemáticas e que é descrita pelas leis da Física. Estamos aqui entre dois casos: o primeiro: a existência de uma casa; o 2º: a não-existência da casa. Quando conseguimos compreender esta irrealidade, ou esta realidade ilusória, deixa de haver suporte e objecto. Quando não há objecto nem suporte, todas as construções mentais desaparecem. Uma parede (que aparenta ser uma construção sólida) é constituída por moléculas e espaços vazios entre elas. E o tamanho entre os espaços é maior do que o tamanho entre as moléculas. Contudo, à vista desarmada, uma parede parece-nos absolutamente compacta, sem espaço algum. Se reflectirmos sobre estas ilusões, ser-nos-á mais fácil adquirir serenidade, porque nos libertamos das construções mentais que constantemente a mente faz. A solidez dos fenómenos parece real quando não os analisamos. Peguemos num objecto concreto: uma bola azul, com 100 gramas de peso. Visualizemo-la. Se olharmos para ela na obscuridade da noite, vamos continuar a dizer que ela é azul. Mas ela já não é azul, mas cinzenta. Esse "azul" é fruto de uma construção mental, de uma ideia feita. (Tantas ideias feitas que temos, às quais nos agarramos irreflectidamente!) Quanto ao peso, dizemos que tem 100 gramas. Mas apenas possui esse peso nestas condições, na lua pesará muito menos. No espaço vazio, não terá qualquer peso. O peso é uma função, depende de vários factores. A cor depende da luz. Nada existe sem uma interrelação com o todo. Nada possui características imutáveis. Nada é sólido e permanente. A matéria deve ser considerada sob os aspectos: onda, partícula ou massa, energia e estes elementos podem coexistir num mesmo momento, o que significa que nada pode ser classificado como entidade permanente. Se as partículas não são consideradas "realidades sólidas", porque razão consideramos a soma de todas elas (a bola azul ou a parede) como objecto sólido e permanente? A importância da integração em nós da noção de impermanência é essencial para uma melhor compreensão da realidade. Quanto mais reflectirmos sobre o vazio dos objectos, sobre a sua ausência de características, sobre a sua não-solidez, mais rapidamente chegaremos à calma de espírito por que todos ansiamos. É aqui que a meditação ajuda. Pela apuramento que dá à percepção, pelo aprofundamento. A meditação ajuda a "desconstruir" os conceitos mentais com os quais formamos a solidez da realidade. Meditar, ficar sentado e observar a mente, apenas isso, dá-nos a experiência da impermanência, do não-eu.

publicado por Isabel às 02:26
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