Sábado, 30 de Outubro de 2004

Realidade ou Ilusão?

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De um ponto de vista de um peixe ou qualquer outro animal marinho, a água não existe ou existe como o ar para um humano, é um espaço vazio, permite-lhe respirar e é o ambiente onde ele vive. Assim, a água que para um ser terrestre é percepcionada como tendo consistência e forma relativa, para um animal marinho é percepcionada de modo completamente diferente. Qual é então a realidade da água? É a realidade humana ou a do animal marinho? A realidade tem sempre dois aspectos: o relativo e o absoluto. O relativo é aquele que é experienciado no quotidiano, a realidade relativa de uma parede impede-nos de a atravessar, pela solidez. A realidade absoluta é a vacuidade, a ausência de características intrínsecas ao objecto. A realidade não pode ser vista como uma projecção, senão como explicar a realidade partilhada por todos (o rio, o mar...)? Contudo, na perspectiva absoluta da realidade, a água não tem características próprias que lhe estão inerentes, senão estas deveriam manifestar-se de modo absoluto, independentemente das faculdades perceptivas ou cognitivas individuais. Podemos então concluir que nenhuma destas perspectivas da realidade -relativa e absoluta- pode explicar a verdadeira natureza da realidade. Nem uma realidade dotada de existência própria nem uma vacuidade pura explicam a realidade fenomenal. É num estado intermédio entre a realidade absoluta e a relativa que encontramos a verdadeira natureza dos fenómenos. É entre a vacuidade e a aparência que se encontram os objectos fenomenais. Contudo, esta união indissociável da vacuidade última e das aparências dos fenómenos transcende a compreensão conceptual e só se deixa apreender em certos níveis avançados de estados de percepção. Khyentse Rinpoché disse: "Um reflexo no espelho não faz parte do espelho, nem se encontra noutro lugar fora do espelho. Do mesmo modo, as percepções dos fenómenos exteriores não se encontram na mente nem fora dela. Os fenómenos não são, em verdade, nem existentes nem não-existentes. A realização da natureza última das coisas situa-se para lá dos conceitos de ser e de não-ser" in Dilgo Kyentse Rinpoché, Les Cent Conseils de Padampa Sanguié aux Gens de Tingri, 2000

publicado por Isabel às 04:28
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