Sábado, 13 de Novembro de 2004

Emoções

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Recentemente, o psicólogo e investigador Plutchick distinguiu 8 emoções básicas: alegria/tristeza, aprovação/desgosto, cólera/medo e surpresa/antecipação.O mundo da emoção é bastante complexo e envolve grande diversidade de comportamentos e alterações corporais. Já Darwin falava na importância das emoções no instinto de sobrevivência como gerador das respostas apropriadas às situações imprevistas. Um estado emocional é o resultado da interacção entre a actividade fisiológica e as actividades cognitivas com ele relacionadas. A emoção depende da interacção entre entre a actividade e a valoração cognitiva, assim como da percepção de que existe uma conexão causal entre a actividade fisiológica e a cognição emocional.



Existe um padrão específico de actividade autónoma para cada emoção. Assim, a redução ou bloqueio da actividade fisiológica altera ou elimina a emoção. Por exemplo, o sorriso tanto é uma das manifestações corporais da alegria, como a sua origem. Estudos recentes sobre a tristeza profunda e estados depressivos incentivam como terapia o olhar-se ao espelho sorrindo. Cada emoção provoca todo um complexo conjunto de respostas corporais ao nível da actividade cardíaca, gástrica, respiração, temperatura de pele, tensão arterial, etc. Emoções como o medo ou a ira, geradas pelo stress, originam secreções hormonais possíveis de ser quantificadas por análise sanguínea ou de urina, nomeadamente adrenalina, noradrenalina, hidroxicorticoesteroides, etc. assim como provocam alterações no sistema imunitário. (As hormonas são compostos químicos que actuam no organismo como sinais. Criadas pelas glândulas endócrinas e algumas células específicas, as hormonas são expelidas na corrente sanguínea e captadas por moléculas receptoras. Muitos dos comportamentos humanos -como a actividade sexual, maternal e os comportamentos agressivos- são influenciados pela coordenação entre as componentes neurológicas e as componentes hormonais.)


O sistema imunitário consiste numa rede de células detectoras de intrusos, interagindo com vários órgãos, especialmente com os do sistema hormonal e nervosos.Estudos iniciados nos anos 80 deixaram claro que as alterações emocionais influenciam o sistema imunitário. Há 2 tipos de respostas imunitárias: a dos Linfócitos B e a dos Linfócitos T. Os primeiros produzem anticorpos destruidores de bactérias e vírus (as imunoglobulinas). As respostas imunitárias dos Linfócitos T actuam como células assassinas, eliminando substâncias nocivas. O estudo realizado por Jemmont e Locke (1985) resume todos os outros, estabelecendo a relação entre o stress e o funcionamento imunitário. Jemmont e os seus colaboradores estudaram grupos de profissionais durante os seus períodos laborais, analisando-lhes a saliva, concluindo que, durante as alturas de maior tensão, a produção de anticorpos diminuía consideravelmente.


Numa perspectiva budista, as emoções dividem-se em 2 grandes grupos: as positivas e as negativas, sendo as negativas aquelas que provocam sofrimento e/ou doenças. As emoções negativas são: a cólera,  apego, a ignorância, ciúme/inveja e o orgulho. Há a ideia de que uma emoção aparece na vida e desaparece sem deixar rasto, mas uma emoção liberta no organismo uma carga energética que perdura no corpo e no espírito por longo tempo, acarretando todo um complexo conjunto de respostas. A emoção mais negativa, a ira, pode provocar distúrbios diversos no organismo, sendo um dos principais causadores de úlceras gástricas e podendo provocar cancro. No lado oposto, as últimas investigações provaram que emoções como a compaixão (ou amor) trazem elevados índices de bem-estar físico. Uma investigação realizada nos Estados Unidos consistiu na análise de um grupo de pessoas que visionavam filmes da vida da Madre Teresa de Calcutá. As amostras de saliva, após cerca de meia hora de visionamento de imagens de sofrimento e de solidariedade, demonstraram que os índices de imunidade eram extremamente elevados. A quantidade de linfócitos T era ainda maior quando posteriormente ao filme os elementos do grupo faziam uns minutos de meditação sobre a compaixão e sobre o amor. O seu efeito tornava-se mais duradouro. A ciência permite hoje comprovar o que Buda disse há cerca de 1600 anos e o que todos nós empiricamente  sabemos, dos médicos e enfermeiros que, em tempos de epidemia, se tornam quase imunes às doenças. É a intenção de curar os outros, essa compaixão que sentem que lhes torna o sistema imunitário mais resistente. Se as emoções positivas têm estes efeitos a nível do organismo (que é muito menos flexível do que o espírito), imaginem as potencialidades a nível da mente quando desenvolvemos emoções como a compaixão...

publicado por Isabel às 13:37
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1 comentário:
De Opinioes a 15 de Novembro de 2004 às 08:59
Post super interessante.
É precisamente por isto que eu acho que Portugal está doente... muito fado e pouco flamengo!
hei-de voltar para ler mais ;-)!

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