Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004

impermanência

Sintra 4.jpg

Sinto a impermanência todos os dias, às vezes em pequenos pormenores, por vezes em grandes alterações. Desde as mudanças de humor, quantas vezes frutos apenas de alterações hormonais físicas ou de uma noite de sono menos sereno, seja em alterações maiores como a doença repentina de um familiar ou um pequeno acidente que poderia ser desastroso. Pequenas ou grandes, as alterações consistem sempre num instrumento pessoal que deve ser usado para caminhar de forma mais perfeita na via budista. Se muitas vezes parece simples esta oferta de abertura ao mundo, há que tomar consciência de todo um quotidiano repleto de obstáculos que parecem querer interpôr-se: a burocracia do sistema, a preponderância dos valores económicos sobre os éticos, a urbanidade contemporânea com as suas exigências que nos parecem afastar da nossa verdadeira natureza... Mas os imprevistos e contrariedade do dia-a-dia podem ser vistos de várias perspectivas: como um pretexto para cruzar os braços ou como um incentivo para continuar. Acredito firmemente que todos os obstáculos podem ser transpostos e disso temos quase diarimente provas se soubermos estar atentos. É a forte convicção de que o limite seguinte é mais fácil de superar que o anterior que me fornece o entusiasmo necessário para o ultrapassar. Por vezes, quando tomamos a decisão de executar um projecto considerado elevado, pensamos que tudo o resto, as "coisinhas" mais comezinhas e banais são para os outros e não para nós, nobres "guerreiros espirituais", mas nada podia estar mais afastado da verdade; tudo o que aparece no nosso caminho deve ser integrado nesse projecto.A divisão entre as "tarefas nobres" e as banais é artificial e já em si o maior obstáculo à persecução das  "missões nobres". A mudança é das poucas certezas que temos na vida, hoje faz sol, amanhã chove, ontem o dia correu bem, hoje não... Nada está parado. A nível molecular, tudo se move. A nível macroscópico, tudo é movimento. Perpetuamente. Há que intregrar esta verdade e viver o momento presente. Aqui e agora vivo. O ontem não existe. O daqui a bocado é incerto.

publicado por Isabel às 19:42
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3 comentários:
De isabelBodhisattva a 31 de Agosto de 2006 às 20:54
IMHOTEP - Mas é isso mesmo. A mim -imagina, sou mulher, com 'aquelas' alterações hormonais mensais super-chatas ... no entanto consigo ultrapassar essa tendência para os maus-humores ou falta de entusiasmo, pensando 'isto passa'... a vida pode ser tão simples
De Imhotep a 31 de Agosto de 2006 às 19:02
Muito bonito. E um problema intransponível até pode ser pouco divertido, e um exercício que temos a oportunidade de resolver. Eu cada vez mais consigo ver as coisas assim, mas nem sempre. Às vezes o entusiasmo falta totalmente, e a aí... penso apenas que esse estado não pode permanecer... e vai acabar por voltar algum entusiasmo para continuar.
De troblogdita a 27 de Novembro de 2004 às 00:39
Sim, se nos focarmos no que permance, aceitando a mudança sem lhe dar importância a mais, já anguentamos com umas rajadas de vento mais fortes sem tombar. E a caminhada pode ter sentido em vez de ser, como acontece comigo tantas vezes, um emaranhado de começos e recomeços, desvios, atalhos e voltas inúteis. Sim, "Aqui e agora vivo"!

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