Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005

compaixão e karma

 onda gigante...

Penso que a tragédia do tsunami torna premente falar sobre a noção de karma. Karma é genericamente um conjunto de leis bastante complexas que se prendem com a noção de causalidade. Quando alguém age de uma determinada forma, provoca inevitavelmente uma reacção. As causas geram reacções da mesma natureza, ou seja, quando alguém age de modo agressivo, inevitavelmente provoca agressividade e, mais tarde ou mais cedo, recebe agressividade. A energia provocada pela atitude, pensamento, palavra ou acto é mais poderosa quando está em sintonia, provocando, assim, uma resposta mais mediata; por exemplo, se eu mato alguém motivada pela intenção de matar, com agressividade, reúno todas as condições para gerar uma reacção negativa que me vai atingir a muito curto prazo. Mas se mato alguém acidentalmente, apenas estou a agir; a palavra, o pensamento e a intenção (motivação) não se coadnuando com o acto em si, provocam uma resposta diferente, não necessariamente negativa e, muitas vezes, tão afastada no tempo que se torna difícil estabelecer essa ligação. Um conjunto complexo de condições determina as leis do karma, sendo, pela complexidade envolvente, muito difícil fazer previsões. Se para o karma individual já é muito difícil definir com precisão o elo de ligação causa-efeito, então quando analisamos o karma colectivo o trabalho torna-se muito mais árduo. Muitas vezes, e segundo as leis que determinam o renascimento, seres com uma potencialidade kármica semelhante nascem no mesmo local geográfico. Assim, e sem o saberem, várias pessoas simultaneamente passam por uma mesma situação no mesmo local. Acontece diariamente. Quando assistimos a um mesmo  espectáculo partilhamos a alegria e a energia positiva que nos une aos outros, inexplicavelmente sentimo-nos ligados aos outros na mesma sala. Normalmente, nessas ocasiões (mais evidentes em espectáculos ao vivo, como peças de teatro ou concertos de música)  não nos interrogamos sobre a situação que vivemos, nem nos preocupamos em querer saber porque é que ali estamos. A resposta parece simples, porque desejamos ali estar. Pagamos bilhete para assistir ao espectáculo. Mas é apenas quando atravessamos uma desgraça que nos debruçamos sobre a razão de tantos seres simultaneamente partilharem a mesma dor. Acredito profundamente nas leis do karma. A catástrofe provocada pelo tsunami no sudeste asiático faz-me crer que esta foi mais uma situação que uniu seres com o mesmo tipo de potencialidade kármica. Gostaria de salientar que não devemos ignorar o que se passou, mesmo acreditando no karma, que existe uma causa desconhecida, mas válida, para este sofrimento em massa, a compaixão deve ser o sentimento por detrás de todos os nossos pensamentos, palavras e acções. Devemos até aproveitar para alargar (também no tempo) a atitude de compaixão a todos os que sofrem.

publicado por Isabel às 23:33
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1 comentário:
De mysitcat a 13 de Janeiro de 2005 às 20:40
Faz todo o sentido, claro.
Mas choca com o que se sente e o drama é esse. (pelo menos para mim...)
é a diferença entre perceber uma determinada situação e vivê-la intensamente.

É o acreditar que a morte é apenas mais uma fase, e ver uma pessoa que nos é querida completamente imóvel, fria, sem reacção.

Se calhar é porque ainda tenho muito para ler e entender... ou neste caso: vivenciar.

bjs*

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