Quinta-feira, 3 de Março de 2005

corpo/máquina/espírito

As novas tecnologias reformulam a noção de corpo, matéria, espaço e tempo. Uma nova dimensão do que é o corpo e do que é a realidade pode ser vivida cada vez que olhamos à nossa volta e experienciamos as novas tecnologias. O ciberespaço, espaço não-linear, expandido em várias direcções, podemos criar novas identidades, eliminando conceitos como o de género, por exemplo (nos chats, cada um pode construir-se, adoptando o tipo de personalidade que desejar, o sexo que preferir, em suma inventando e vivendo uma identidade). Assim, e por essa mesma razão, a definição de corpo passa a ser desnecessária, importando apenas a identidade criada através da máquina (no caso o computador pessoal ligado ao super-computador que o conecta aos outros através das hiper-redes). O corpo e a máquina integram-se em simbiose no espaço virtual da internet. Até que ponto é que a ser que conhecemos no chat é real? Será mais real o ser com um corpo com quem falamos no dia-a-dia? Do mesmo modo, impõe-se a questão da identidade de um corpo ligado a uma máquina hospitalar. Retirados os tubos, os ventiladores, soros, alimentação artificial que se interlaçam unidos ao computador, o ser humano morre. Então, nessa simbiose corpo/máquina, onde está a identidade? Onde está a individualidade, a consciência? Onde é que reside a vida? No corpo ou na máquina? A minha resposta é que essa vida não está em nenhum dos dois elementos, mas é uma transcendência. O ser humano tem essa transcendência que lhe está limitada pelo corpo; quando este entra num estado de vida apenas suportado pelas novas tecnologias, essa transcendência (uns chamam-lhe alma, outros espírito ou consciência) mostra-se em pequenos vislumbres manifestados por um esgar da boca, um leve apertar dos dedos, uma lágrima que corre dos olhos. Mas na maior parte do tempo, essa consciência, a identidade não está ali presente, encontra-se num outro espaço, num espaço virtual que não se deixa controlar por nenhuma máquina. É um espaço de liberdade e de felicidade.
publicado por Isabel às 23:57
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1 comentário:
De dechen a 10 de Março de 2005 às 13:40
gostei do teu blog

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