Quarta-feira, 27 de Julho de 2005

pecado e responsabilidade

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O respeito por todos os seres é o centro fulcral do Budismo.


Isso chega e, por isso, não é necessária a existência de mandamentos. No que respeita à noção de karma, cada um de nós colhe os frutos daquilo que semeou e, por essa razão é que nascemos num determinado sítio, inseridos num dado âmbito cultural e nos cruzamos na vida com certas pessoas e somos confrontados com certas circunstâncias específicas, embora nem sempre consigamos ver essa relação de causalidade.


O Budismo acredita que tudo no universo é interdependente. O nosso caminho pela vida consiste em saber gerir as situações e pessoas que encontramos de modo a melhor expressar a nossa individualidade e, ao mesmo tempo, viver em harmonia connosco, com todos os seres e com a natureza.


A noção de pecado não existe no Budismo. Existe uma profunda noção de responsabilidade e de interdependência. Somos responsáveis uns pelos outros e pelo planeta, mas não culpados. Ou seja, em vez de ficarmos parados numa atitude de resignação passiva ou, pior ainda, de arrependimento e auto-flagelação, devemos reflectir sobre a nossa quota parte de responsabilidade sobre o mundo e do qual somos responsáveis e activamente reagir vivendo praticando a paz o melhor que conseguirmos. Todos os seres merecem o nosso respeito, pois em todos existe o potencial despertar para o estado búdico. Quando existe uma repleta noção da nossa responsabilidade obtemos um imenso poder e conseguimos modificar praticamente todas as circunstâncias à nossa volta. É a velha questão de “para mudar o mundo, temos que começar por nos mudarmos a nós”. Não é uma metáfora. É verdade.


Sobre a sexualidade, questão particularmente interessante pois lida com os nossos desejos mais primários, o Budismo vê-o como simplesmente isso: mais um desejo.


O que fazemos com esse desejo é que faz toda a diferença. Podemos incentivá-lo, reprimi-lo ou ignorá-lo. A sexualidade, para o Budismo, não é nem boa nem má, simplesmente é. Na expressão dessa sexualidade, na sua condução é que reside a questão fulcral. Se nos sentimos atraídos sexualmente por alguém e manifestamos esse desejo conduzidos por uma motivação egoísta de auto-satisfação, sem respeitar o outro, segundo a lei kármica, o resultado só pode ser mau: Por outro lado, se a união sexual se baseia na partilha e no afecto, no altruísmo e se existe carinho sincero, o resultado dessa união só pode ser bom. Se o corpo serve como forma de expressão, porque não usá-lo para expressar emoções positivas? A escolha é sempre nossa. Podemos seguir os instintos mais primários e animalescos ou viver de modo sublime. Em todos os casos, o resultado é que geramos sempre uma situação para nós: positiva ou negativa. É isso o Karma.


Deste conjunto de escolhas que nos é apresentado em todos os segundos da nossa vida construímos um caminho. Ás vezes enfeitamo-lo com flores perfumadas e enchemo-lo de lindas paisagens de luz, outras vezes, colocamos espinhos e pedras em curvas sombrias. A grande questão é termos sempre presente que somos nós que construímos a nossa vida.

publicado por Isabel às 23:44
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1 comentário:
De Sofia a 4 de Agosto de 2005 às 22:18
A forma como conduzimos os nossos passos é que de facto sublinha as diferenças entre pecado, karma, consciência... E é no momento em que os passos são dados com consciência de si, do momento e no momento, que tudo o que é feito reflecte o seu brilho, nesse momento o conceito de pecado deixa de fazer sentido, a consequência e responsabilidade são compreendidas e aceites, a sexualidade mostra que tem tanto de físico como de divino... como tudo o resto na vida...

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